KNHY11 - Assume Prejuízo com CRI Patriani e Consome Reservas para Manter Dividendos
O Kinea High Yield (KNHY11), fundo de papel voltado para investidores qualificados, reportou em seu último relatório gerencial uma operação de desinvestimento que impactou seu resultado contábil. A gestão optou por vender sua posição no CRI da incorporadora Patriani e em uma SPE relacionada, assumin
O "Susto" no Relatório Gerencial Investidores do KNHY11 foram alertados sobre um movimento defensivo da gestão Kinea no relatório de dezembro. O fundo, que possui mais de R$ 3 bilhões de patrimônio e cerca de 28 mil cotistas, realizou o desinvestimento total de operações ligadas à incorporadora Patriani.
A venda dos ativos (uma posição relevante em CRI e participação em uma SPE - Sociedade de Propósito Específico) não foi feita com lucro, mas sim com prejuízo. A gestão explicou que, após um "amplo e profundo escrutínio" da situação da devedora, identificou que o ambiente de juros elevados (Selic em alta) agravou severamente a saúde financeira da empresa desde o último semestre de 2021. Diante do risco iminente de um default (calote), a Kinea optou por vender a dívida no mercado secundário, mesmo que por um valor abaixo do ideal, para recuperar o capital possível antes que a situação se tornasse irreversível.
Impacto nos Dividendos e Uso de Reservas O prejuízo da operação impactou diretamente o resultado gerado no mês, que foi de apenas R$ 0,55 por cota. No entanto, o fundo distribuiu R$ 1,00 por cota. Como essa conta fechou? O KNHY11 utilizou cerca de R$ 0,45 por cota de suas reservas de lucros acumulados. Essas reservas haviam sido constituídas em meses anteriores, quando a inflação alta gerou resultados extraordinários que não foram totalmente distribuídos na época.
- Ponto Positivo: A existência dessa "gordura" (reserva) permitiu que o cotista não sentisse o impacto no bolso imediatamente, mantendo o fluxo de renda estável.
- Ponto de Atenção: A reserva foi consumida para cobrir um prejuízo, e não para linearizar rendimentos futuros. Isso significa que o fundo tem agora menos margem de manobra para oscilações futuras.
A Realidade dos Fundos "High Yield" O caso ilustra bem a dinâmica de fundos de crédito mais arriscados (High Yield). Diferente de um fundo de tijolo, onde o imóvel fica como garantia e pode ser retomado e alugado novamente, no fundo de papel o risco é o crédito da empresa. Quando a empresa vai mal, o gestor tem que agir rápido: ou renegocia, ou executa garantias (que pode demorar anos, como no caso do MXRF11), ou vende a dívida com deságio (prejuízo) para sair do problema.
A atitude da Kinea foi considerada prudente por muitos analistas: "vão-se os anéis, ficam-se os dedos". Ao assumir a perda agora, o fundo limpou a carteira de um ativo tóxico que poderia causar danos maiores no futuro. A gestão reforçou no relatório que não espera novos eventos negativos e que a carteira remanescente permanece saudável.
Cenário Atual e Inflação Apesar do tropeço com a Patriani, o KNHY11 segue com uma carteira robusta, indexada majoritariamente ao IPCA (91%) com uma taxa média de IPCA + 12,43%. O cenário de curto prazo para os rendimentos deve melhorar. Os índices de inflação que impactam o fundo (com defasagem de dois meses) foram baixos em outubro (0,09%) e novembro (0,18%), o que explica parte do resultado operacional fraco. Porém, o IPCA de dezembro já subiu para 0,32%, o que deve impulsionar a correção monetária dos ativos nos próximos pagamentos.
Em resumo, o KNHY11 continua sendo um "gigante" respeitado, mas o evento serve de lembrete: rentabilidade alta (IPCA + 12%) traz riscos embutidos, e até as melhores gestoras estão sujeitas a defaults em seus portfólios.